“Tu nem se amarra tanto em skate, o que tu curte mesmo é cair”
Serginho Telles – ícone do skate e da música carioca
Confesso, antes de toda essa babaquice de Jackass e seus spin-offs eu já me amarrava em tomar umas vacas. Sessão sem tombo apoteótico para mim não era uma sessão de verdade.
Por duas vezes cortei minha mão esquerda, não sei quantas madeiras os circulares da zona sul partiram em dois. Certa vez recebi voz de prisão de um policial aposentado com quem me choquei nas muretas do Catete.
Fora esses pequenos contra-tempos milagrosamente nunca me quebrei a sério. Deus gosta de me entregar desgraças em embalagens tamanho família.
O Todo-Poderoso costuma me sacanear em períodos quase certos de 10 anos. Entre meus três e quatro anos duas pneumonias que quase me fizeram subir o telhado, entre 15 e 16 uma porra de doença neurológica que bagunçou minhas pernas mas da qual me recuperei em um ano só para dez anos depois, agora aos 26, voltar a ter o mesmo problema.
O mesmo Sérgio Telles que cito aí em cima, me perguntou certa vez se o fato de eu estar fodido não tinha relação com meus tombos, minha avó e tia me perguntaram a mesma coisa (mas de maneira diferente, acusando o esporte como um todo).
Quando perguntei para meu fisioterapeuta da época, se por acaso havia alguma relação, ele me respondeu que se não fosse o skate (aqui lê-se qualquer esporte que exigisse da musculatura das pernas e abdômen) minha recuperação teria demorado muito mais.

Escrito por fernandotorelly